O
SILÊNCIO DO ALGOZ, DE FRANÇOIS BIZOT
BOCA
DO INFERNO, DE OTTO LARA RESENDE
Ecoam
ainda nos dias de hoje as consequências de histórias como as de Boca do
inferno, publicado originalmente em 1957. Talvez naquele tempo o escritor e
jornalista Otto Lara Resende não imaginasse o quão preciso poderia ser este
compacto exemplar. O mais provável é que soubesse. Em um contexto em que a
religião dita as regras, o autor traz à superfície os mais bem guardados baús
dos porões da família mineira. Não por acaso, as sete narrativas aqui reunidas
têm como protagonistas meninos e meninas que, no fim da infância, são lançados
de um momento para outro no conhecimento tenebroso das coisas. É sempre aí – na
gruta sob a laje, no porão cheirando a mofo, no quarto quieto no meio da noite,
no moinho solitário e monótono – que se dá a improvável revelação. Com o peso
do que foi longamente gestado, com a força de uma límpida poesia da dor. Boca
do inferno permaneceu durante décadas fora do comércio, não por falta de
pedidos, mas porque seu autor – exigente – vivia a reescrevê-lo, adiando
continuamente as novas edições. De fato, só a exigência literária extremada
poderia lograr uma escrita como esta. Escrita que flui, mas, súbito, se
interrompe, deixando à mostra profundidades insondáveis da existência.
BECO
DOS MORTOS, DE IAN RANKIN
O
bicho alfabeto tem vinte e três patas, ou quase. Por onde ele passa, nascem
palavras e frases. Quando ele e o Paulo Leminski se encontram, das palavras
nascem versos e poemas, que falam sobre o mar, o vento, a chuva, as estrelas,
uma pedra, um cachorro, uma formiga… Coisas que todo mundo conhece, mas que se
transformam em outras quando aparecem dentro dos versos do Leminski. Nesta
reunião inédita de poemas para os pequenos, Ziraldo também colaborou com a
transformação: o bicho alfabeto ganhou cores e formas que ninguém poderia
imaginar. Foi assim que o mundo ficou totalmente de cabeça pra baixo, pronto
pra quem quiser virar a página e se aventurar a ler a vida de um jeito
diferente.